quarta-feira, 6 de abril de 2011
terça-feira, 31 de agosto de 2010
As despedidas finais do velho Rumpelstiltskin e seu pomposo caderno.
Chuva, quem diria! Me admira. Me deixa a delirar. Pois na lucidez dos velhos dias dos velhos anos de minha velha vida, nos breves momentos em que tu desembarcaste do teu navio e se fez por me amar mais uma vez, nos míseros instantes em que teus pés tocaram ao cais e me fizeram vez que você estava de volta, mais uma vez, um banho de chuva nunca fez tão bem a ninguém.
E é por essa chuva, querida, que aqui, dentro da cabine do meu trem, eu paro de escutar a minha bossa nova e o meu rock 'n roll, e escuto a música que, para nós dois, eu tenho certeza, começou com isso tudo. E é por escutar principalmente essa música do que qualquer outra, do que qualquer garotos d'água e do que qualquer outra cura também, é que eu me dou conta do quanto eu te devo muito mais.
Te devo todo o peso que te fiz carregar tão injustamente, te devo todas as angústias que tivemos. Te devo todos os textos que você me fez escrever, todos os desenhos que eu sei, você sempre soube que eram você que me fazia desenhar também. Te devo músicas. Todas as instrumentais que compus pra você. Te devo um caderno. Te devo os videos que ainda guardo naquele aparelhinho que você conhece tão bem. Te devo o meu casaco. Te devo o mundo que eu criei detalhe por detalhe pra que pudéssemos viver nele. Te devo todo o amor que se acumulou dentro de mim esse tempo todo, e que fui lerdo demais pra colocar pra fora nas horas certas. Te devo a história de uma vida inteira. Te devo uma vida inteira. Te devo um presente de aniversário e milhares de desaniversários. Te devo todas as metáforas que te escrevi, te devo mares. Te devo noites sem dormir, rindo comigo mesmo e me lembrando do seu sorriso. Te devo lágrimas.Milhares delas. Todas as suas que eu, em vida não fui capaz de suprir como eu prometi pra mim e deus desde sempre. Mas mais do que isso tudo, eu te devo um dvd pra colocar no lugar do que peguei de volta, né não?
Mas acontece que não dá mais. Não dá, e você bem sabe o quanto não dá. Não dá e hoje, pela última vez, eu me despeço de cada árvore do mundo que criei pra nós dois. Me despeço de cada castelo, de cada barco, de cada texto e de cada pedra de um riacho qualquer. É que acontece que aquilo tudo não tem a menor graça sem você lá, entende? É só que a verdade é que não existe rei sem rainha, e nem reino sem rei, e nem nada.
O maquinista disse que sem falta amanhã estamos de partida. Amanhã mesmo. Sem falta. Então olhe nos meus olhos uma última vez. Olhe nos meus olhos e por através das lágrimas que agora escorrem por onde deveriam estar as minhas lentes, olhe nos meus olhos e veja o quanto eu te amo, e dê uma olhada naquele mundo que agora deixo pra trás. Veja todos os rios, e todos os barcos, e todos os mares, florestas, castelos e o que mais conseguir encontrar. Ouça os pássaros cantando, e a música que eu deixei tocando no rádio. Sinta o cheiro. Veja o azul, o verde, e principalmente, o marrom. Dê uma olhada e tire a cabeça rápido. Tire a cabeça rápido, pois é hora de dizer adeus. Tire a cabeça rápido que é pra não deixar saudade. Tire a cabeça rápido que é pra dar tempo de eu te dizer pela última vez o quanto eu te amo, o quanto sentirei a sua falta e de tudo o mais. Tire a cabeça rápido que é pra eu te dar um último beijo de despedida, como sempre sonhei em te dar.
E agora eu deixo o rio correr. Deixo todas, as mágoas, nostálgias, músicas e belezas fluírem rio abaixo, junto com essas últimas lágrimas que me descem abaixo a face. Deixo tudo de velho, inclusive eu, e deixo o que vem de novo pro novo que almeja por nascer aqui dentro. E minhas últimas palavras são apenas o seu nome. Sem Elise, sem Alice. Sem nenhuma outra cor que não o loiro dos seus cabelos bonitos. Minhas últimas palavras são apenas você: Sophia.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
*Caixa postal, após o sinal, diga o seu nome e de onde está falando -
"Oi amor, sou eu. Estou ligando só pra dizer que já vou indo pra estação, e só pra dar um tchau mais uma vez também"
"Eu queria muito passar aí pra te dar um abraço, mas sabe como é, ir pra Finlândia hoje em dia tá cada vez mais difícil, né não?"
"Ah! Eu lembrei que hoje é o nosso aniversário, não é mesmo? Parabéns! Eu fiz uma besteirinha pra dar de presente, coloquei no correio, não sei quanto tempo vai levar pra entregarem, as coisas andam maio loucas hoje em dia...?"
"..."
"Ah! Mande um beijo pras crianças por mim também, eu vou sentir falta deles por lá..."
"..."
"Olha querida, eu só liguei mesmo pra te dizer mais uma vez que eu te amo, ok? Eu te amo, e não tem distancia que vá mudar isso pra mim. Nem distancia e nem saudade. E... eu lhe devo um pedido de desculpas também. Desculpa por ter ficado velho, e ranzinza assim. Eu nunca quis isso, você sabe. Você não faz idéia do quanto eu queria continuar aqui quando você pensasse aquilo que cê disse naquela tua última carta, mas é só que não dá. Não se adia essas coisas..."
"..."
"Bom, é melhor eu ir que eu já estou atrasado, aposto que vou levar uma bronca quando chegar lá então... até mais querida, eu vou sentir saudades, adeus."
"Oi amor, sou eu. Estou ligando só pra dizer que já vou indo pra estação, e só pra dar um tchau mais uma vez também"
"Eu queria muito passar aí pra te dar um abraço, mas sabe como é, ir pra Finlândia hoje em dia tá cada vez mais difícil, né não?"
"Ah! Eu lembrei que hoje é o nosso aniversário, não é mesmo? Parabéns! Eu fiz uma besteirinha pra dar de presente, coloquei no correio, não sei quanto tempo vai levar pra entregarem, as coisas andam maio loucas hoje em dia...?"
"..."
"Ah! Mande um beijo pras crianças por mim também, eu vou sentir falta deles por lá..."
"..."
"Olha querida, eu só liguei mesmo pra te dizer mais uma vez que eu te amo, ok? Eu te amo, e não tem distancia que vá mudar isso pra mim. Nem distancia e nem saudade. E... eu lhe devo um pedido de desculpas também. Desculpa por ter ficado velho, e ranzinza assim. Eu nunca quis isso, você sabe. Você não faz idéia do quanto eu queria continuar aqui quando você pensasse aquilo que cê disse naquela tua última carta, mas é só que não dá. Não se adia essas coisas..."
"..."
"Bom, é melhor eu ir que eu já estou atrasado, aposto que vou levar uma bronca quando chegar lá então... até mais querida, eu vou sentir saudades, adeus."
terça-feira, 10 de agosto de 2010
De roupa floral.
Fiz bem em ter arrumado as malas hoje cedo. Me poupei da agonia e do estresse que sempre foi pra mim fazer as malas na última hora antes da viagem e das broncas de todo mundo, me agoniando pra eu não perder o trem. Joguei na mala tudo quanto era roupa que eu tinha, afinal, nunca se sabe como é o tempo nesses lugares malucos de outro mundo. Coloquei na mala bastante agasalho. Peguei os meus melhores cachecóis, e os casacos mais bonitos que eu tinha no guarda-roupa. Coloquei roupa de banho também, até sunga dessa vez! Coloquei um punhado de calças jeans e um bocado de camisas básicas, e também aquela minha velha flanela que você conhece melhor do que ninguém. Mas não se preocupe! Dessa vez eu fiz questão de, não só deixar o terno e a gravata de lado, como também de descê-los descarga abaixo, pra que não aconteça que nem da última vez, e eu acabe engolido pela aquela velha casca tosca.
Escolhi a roupa pra ir também, sabia? E antes era você costumava escolher as minhas roupas quando costumávamos viajar juntos! Parece que eu cresci um tantinho em todos esses anos, não foi não? haha. Mas escolhia muito bem, e eu tenho que admitir: Marrom ainda é a minha cor favorita, desde a nossa viagem com aquele seu casaco velho pra frança. Mas bem, eu acho que você não vai gostar do que eu escolhi pra mim dessa vez, é meio estilo floral, sabe? Uma coisa meio Califórnia de uns anos atrás, enfim: Um short branco, com flores tipo aquelas do céu do Bob Esponja, sabe? E tem também uma camisa, bom, na verdade 2 camisas: Uma de botão, azul escuro e com coqueiros, e por baixo vem uma camisa laranja que eu comprei nem sei pra que, mas pelo menos foi útil, haha. Estou indo de óculos escuros e de havaianas também. Confesso, estou esperando que por lá seja um barato só.
De bagagem de mão eu não levo nada. O velhaco lá falou que agente tem que se desprender de bens pessoais e um monte de outros blá blá blás lá que ele falou. Enfim, já que eu não posso levar nada, decidi que tudo fica pra você. Sim, tudinho. Quero dizer, algumas coisas eu perdi no meio dessa bagunça toda que o meu quarto virou quando aquela gaveta maluca decidiu se rebelar e jogar toda a papelada que ela guardava pra fora, me desculpe por isso, mas eu dou um jeito do que sobrou ficar com você, pode deixar.
Dei um jeito de colocar o meu violão também pra dentro do bagageiro. Coloquei escondido. Disseram que não podia, porque tecnicamente era bem-pessoal e blá blá blá, mas eu dei o meu jeitinho, um agrado ao maquinista resolve muita coisa. Eu dei um jeito também de esconder um piano e uma guitarra dentro do violão, afinal, física é uma merda mesmo, pra que obedecê-la? Que se explodam todos os niltons, e os Milton's também, oras!
Mas na minha cabine quero tocar só violão. Tocar um pouco de bossa-nova, um muito de rock'n roll, e compor. Compor de montão. Compor sobre sábados e feriados, sobre domingos de ressacas e sobre festas caprichosas. Compor sobre tardes em praias, sobre choros em baladas, sobre o mundo novo e louco que me espera do outro lado, e que me faz sorrir, e me deixa ansioso, só pra ir.
E a verdade é que eu vou amanhã mesmo, docinho. Vou com toda a bagagem debaixo do braço, e com todo o entusiasmo entre as pernas. E vou, mas chego mais cedo na estação e te dou um telefonema, tudo bem assim? Não falo assim por agora, porque eu prometi que ia deixar a tristeza só pra a despedida, lembra? Sem choradeira antes, e nem depois também, olhe lá! Te ligo amanhã, amoreco. Beijos do teu velho.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
Amor, isso sim.
Pássaro. Pássaro, pássaro, pássaro!
Quando eu era pequeno eu bem que queria ser um. Imaginava como seria divertido planar por entre árvores, ou pela superfície do mar, ver tudo bem do alto, pra todo mundo parecer formiguinha pra mim.
Pensava que se não pudesse ser pássaro, ia querer ser avião. Afinal, é quase a mesma coisa, só ia sentir um pouco de falta do bater de asas que adorava dentro da cachola, mas com essas coisas agente se acostuma, então nem tanta diferença fazia.
Depois quis ser tubarão. Nadar pelas mais profundas entranhas do oceano, avistar uma presa, ir de mansinho, e então BAM! Abocanhá-la de uma só vez, e engolir sem nem mastigar.
Dizia que se não pudesse ser tubarão, ia querer ser marinheiro. Tá certo que esse aí já não tem tanto a ver, mais mesmo assim, queria. Dizia que ia comprar um barco só pra mim e pra a titia, e minha irmãzinha também, se ela parasse de me abusar.
Depois eu quis ser bactéria. Pensava que devia ser um máximo poder se dividir em quinzenas de gazilhares por aí. Achava que podia fazer um monte de amigo assim, e quem sabe ter esposa e filhos desse jeito? Que nem no livro da Familia Bactéria que a mamãe lia pra mim, era uma das minhas histórias preferidas.
Dizia que se não pudesse ser bactéria, ia querer ser cientista. Mexer com aqueles tubinhos, botar melecas verdes umas dentro das outras, ou até mesmo explodir tudo! Aposto que conseguiria criar um montão de bactérias legais desse jeito. Quase ganhei um concurso da feira de ciências do melhor desenho. Fiquei em segundo lugar, mas todo mundo dizia que eu merecia o primeiro. Tinha desenhado eu quando fosse adulto, tinha ficado realmente muito legal, e mesmo com o segundo lugar, todo mundo ficou super orgulhoso de mim.
Mas daí eu cresci. Cresci, e quis ser amor. Imagine só, poder fazer as pessoas voarem de paixão pelo mundo afora, nadarem por um mar feito de litros de porções de poções do amor. Ser cura e ser doença ao mesmo tempo, e multiplicar-me aos montes para dar todo o amor que o mundo inteiro precisasse.
E disse que se não pudesse ser amor, iria querer ser apaixonado. Ia querer ser uma parte do inteiro que é a beleza disso tudo. Dizia que não queria mais nada, apenas ser o que dizia, e pela primeira vez, fui. Pela primeira vez, eu fui de fato tudo o que quis ser! Pela primeira vez, vi os coturnos esbeltos, os perfumes diversos, e tão cheirosos, ví infusões de cores e flores! Vi você!
Pela primeira vez na vida, fui eu mesmo de verdade, e agora você me diz que eu sou um pássaro? Pense bem, não acha que eu sou o que lhe digo ser não? E mais do que isso, não acha que você também não é, o que eu lhe digo ser não? E mais ainda, não acha que somos o que lhe digo sermos não?Pense bem, querida, e me diga, não acha que somos amor?
A casca: Fim.
Não.
Não Elise, não Alice, nem azul, nem verde ou até marrom.
Pelo menos no fim, crosta nenhuma abrigará o meu ego nú, que tanto sente a carência de ver o teu próprio também nú. Me recuso a deixar cascas na nossa história, mesmo que o fim do mundo que conhecemos esteja próximo, como parece.
Perde a compostura - Tira a beleza do ser e do estar ,que nunca, em tempo nenhum, foram tão belos, nem nesse mundo nem em nenhum outro. Desprove o orgulho de uma narração inteira, que virá no futuro, certamente, para qualquer um que queira escutar, e chorar.
Dessa vez não darei brecha. Afinal, que conseqüências um cadáver poderia vir a sofrer por atos nobres? Esse tipo de coisa só acontece quando se está vivo.
Por esses e por tantos outros, me despido aqui de uma vez por todas da velha casca que há tanto me atormenta. Me despido e logo digo: Despida-se também. Quebra tua casca assim como estou por quebrar a minha, e que nasça de dentro, mais uma vez, uma última vez, a mulher que amo.
Sem pressufixos, sem pseudônimos, sem um pingo de casca. Pelo menos os últimos momentos, quero estar a admirar os coturnos do seu corpo, que há tanto não tenho a circunspectância de apreciar.
Pelo menos nos últimos momentos, deixemos para trás as velharias, e nos olhemos por nós sós. Pelo menos nos últimos momentos, esqueça aquela mochila sem graça, ou aqueles tênis maltrapalhos, e nos deixe ser o "nós" da história mais uma vez, pela última vez.
Porque a verdade é que não é mesmo, nem Alice, nem Elise, nem outros tantos nomes que te dei em segredo. Nem é marrom, nem azul e nem verde. A verdade é que nem o teu nome na verdade é. Porque nesse universo de alucinógenos, quem liga pra estereótipos? A verdade é que não é fim, é amor. A verdade é que é muito mais do que a casca que você absurdamente se julga ser. A verdade é que é tudo, porque meu peito jamais seria capaz de bater forte o coração por menos, porque o meu tudo é você, porque você é linda. E se existe uma tal verdade absoluta no mundo é essa, e nada menos.
E eu sei, meu anjo, é pedir demais, pedir demais por demais, mas lhe peço com por favores, o último pedido de um velho amores. Amores que se confundem com dores, e que se fazem na perversão. Mas perversão como essa tem perdão, e no final das contas, e que se faça do meu perdão, também o pedido do menino pidão, pode? Diga-me, por favor. E rezo em silencio para que a resposta seja um sim, por todos os agnósticos que sempre me disse ser.
Mas quer você se decida por despida ou vestida, será assim. Passarei esses últimos dias nú, como sempre tive medo de estar. E escreverei do meu jeito no meu recanto, os próximos últimos textos do nosso romance furado e amado. Com amor e nem um pingo de dor.
De um jeito ou de outro, no fim, tudo é.
Ah, sim! Quase me esqueço! Uma curiosidade, quem um dia falou em voar?
Assinar:
Postagens (Atom)
